Trabalho em casa

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Título: O tecelão.

Autor: SERUSIER Paul (1864 - 1927)

Data de criação : 1888

Data mostrada: 1888

Dimensões: Altura 72 - Largura 58

Técnica e outras indicações: Óleo sobre tela

Local de armazenamento: Site do Museu de Arte e Arqueologia

Copyright do contato: © Museu de Arte e Arqueologia - Studio Mandin

© Museu de Arte e Arqueologia - Studio Mandin

Data de publicação: abril de 2005

Contexto histórico

Aceito no Salon du Printemps 1888, O tecelão rendeu ao seu autor, o pintor e teórico [1] Paul Sérusier, uma menção durante a entrega dos prêmios. Esta distinção encorajou-o a regressar à Bretanha, descoberta no ano anterior, onde conheceu Paul Gauguin [2], que exerceu uma influência decisiva na sua obra posterior.

Análise de imagem

Cena de gênero, esta pintura apresenta um camponês bretão que fabrica em casa, em um tear manual rudimentar, tecidos comuns, de algodão ou lã. As árvores, que se avistam além das estreitas vidraças da janela, comprovam que o homem é dono de um terreno e também se dedica a atividades agrícolas. Porém, cada elemento da pintura nos lembra que a tecelagem invade tudo. O pão redondo apoiado na cadeira de palha, a vestimenta jogada no encosto do assento e a alpargata jogada no chão indicam que este "trabalhador misto" trabalha no espaço onde vive, come e dorme.
O personagem é, sem dúvida, um modelo que Sérusier havia colocado em um interior cuidadosamente reconstruído na oficina. Na verdade, há uma decoração semelhante - mesmos acessórios, mesmas vigas expostas, mesmas cores escuras e mesma luz difusa - em O interior bretão, produzido no mesmo ano.

Interpretação

Nessa cena de gênero, Sérusier mostra um camponês muito característico da França dos anos 1880. Como tantos outros, esse homem optou por instalar uma máquina em sua fazenda para dedicar parte de seu tempo à produção industrial sem romper com seu modo de vida tradicional. Mas suas condições de trabalho são, em última análise, mais difíceis do que na fábrica. Ele trabalha em uma sala escura, que a pequena lamparina a óleo colocada no painel superior dificilmente deve iluminar à noite. Sua posição em frente ao tear, sentado, mas o peso do corpo deslocado para a esquerda para operar o pedal, não é boa. Essa má postura é responsável, entre as tecelãs, por múltiplas malformações, inclusive desvios da coluna vertebral, incansavelmente denunciadas por médicos higienistas ao longo do século XIX. Mas a miséria desta sala mal iluminada também sugere que este camponês Bigouden mal equipado, portanto condenado a fazer tecidos grossos, já sofre a competição resultante da fabricação mecânica de tecidos de moda e novidades. De fato, três anos depois, após a grande greve de 1891, a tecelagem rapidamente se mecanizou e se concentrou na cidade.

  • Bretanha
  • camponeses
  • tecelagem

Bibliografia

Caroline BOYLE-TURNERPaul Sérusier. A técnica, o trabalho pintadoParis, Édita, col. "Biografia", 1988. Caroline BOYLE-TURNERPaul Sérusier e BrittanyPont-Aven, Le Chasse-Marée-Armen, col. "Art in Brittany", 1995. Caroline BOYLE-TURNERPaul Sérusier Ann Arbor: UMI Research Press, 1983. Gérard NOIRIELOs Trabalhadores na Sociedade Francesa. Século 19 a 20 Paris, Le Seuil, col. "Points", 1988.

Notas

1. Apaixonado pela pesquisa pictórica e filosófica, ele condensou suas teorias estéticas e suas pesquisas sobre a proporção áurea em seu ABC da pintura (1921).

2. Em Pont-Aven, ponto de encontro de verão de muitos pintores franceses e estrangeiros.

Para citar este artigo

Myriam TSIKOUNAS, “Home work”


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